quinta-feira, 27 de março de 2008

Carpe diem

Falemos agora de cinema como deve ser. Tal como o Rui Tavares, achei imensa graça à tresleitura que José Manuel Fernandes fez anteontem do Clube dos Poetas Mortos, ainda por cima com uma argumentação muito duvidosa: 1. O professor Keating foi expulso do colégio de Welton; 2. Na escola portuguesa não há lugar para Keatings; 3. Só pode haver um Keating em colégios como o de Welton. Quer-me parecer que o Keating, para onde quer que vá, está tramado.
Mas queria chamar a atenção para um pormenor: JMF diz que "os métodos do professor acabaram por criar uma tensão de que resultou o suicídio de um dos seus alunos"; Rui Tavares fala do "filme em que um execrável colégio interno levava um dos seus alunos ao suicídio". Ora, nem o Rui nem JMF devem ter visto o filme mais de dez vezes, ao contrário de todas as pessoas nascidas entre 1976 e 1980. Cabe-me portanto informá-los de que a culpa não é nem do professor nem do colégio: é do pai, que não deixa o filho ser actor. Falta rigor na imprensa de referência.

2 comentários:

patrícia disse...

:) tão bom! mas alguém que tenha visto o filme, mesmo que só uma vez (com alguma atenção) acha que a culpa é do robin williams?! toda agente sabe que a única coisa má que o robin williams fez na vida foi não ter salvo o robert deniro no awakenings!

R disse...

"è do pai que não deixa o filho ser actor", friso. Acrescento: é do pai que não deixa o filho ser editor do jornal do colégio; é do pai que anuncia ao filho de 17 anos: ESTA vai ser a tua vida; e é do pai que encontra no teatro a gota de água que faz transbordar o copo e assume a vida militar como uma forma de conter essa mesma água.

Nota bene assumida: alguns nascidos na década posterior também viram o filme mais de 10x10 vezes.